Carta do Dia: Ás de Paus

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Um potenciador de ação é o que podemos chamar ao Ás de Paus. Mas é preciso que nós queiramos agir, porque mesmo que o impulso esteja presente, se nós o abafarmos ou reprimirmos, tudo se tornará complicado. Vamos fazer uso desta energia viril, instigante, e revigorante.

A história que vou contar é real, vamos dizer que a sua protagonista é a “Maria”. Sozinha, deprimida, deixou de viver passando apenas a sobreviver quando o seu marido a trocou por outra mulher e quando quase em simultâneo perdeu o seu emprego. O tempo foi passando sem que ela desse conta. Com um filho emigrado e outro a cerca de 150 Km, afastou-se dos amigos isolando-se no interior das suas quatro paredes. Uma casa herdada pelos pais e uma prestação social que conseguiu arranjar, salvaram-na de uma vida talvez “de baixo da ponte” como ela dizia. Há poucos meses houve algo dentro de si que a despertou do marasmo em que vivia e quando deu conta percebeu que se passaram alguns anos sem que nada tivesse feito. Televisão e bordados foram os seus entreténs dos últimos anos. Há alguns meses que eu própria dizia a “Maria” que ela não podia continuar parada no tempo, que era preciso viver em vez de vegetar, mas a realidade é que nos esbarravamos sempre em inúmeras limitações, umas verdadeiras, outras meramente ilusórias e criadas por ela mesma. Os “bloqueios” como ela dizia. Mas tantas vezes os bloqueios persistem porque nós mesmos nos recusamos a desbloqueá-los!

Fiquei feliz em falar hoje com “Maria” e à medida que se atropelava nas palavras para me contar tudo o que tinha acontecido, eu ia pensando em tantas “Marias” com quem falamos diariamente e para elas só posso dizer…sim, é possível!

Viver com medo é vegetar! 

“Maria” começou por arranjar os canteiros do seu quintal, foi este o ponto de partida. Na rua, há medida que os vizinhos iam passando, começou a medo, a dar “dois dedos de conversa”. Quando deu conta, já ia à mercearia da aldeia (que se recusava a ir só para não ter que ver vizinhança). As suas compras que eram feitas pelo filho e pela nora e levadas duas vezes por mês quando a visitavam, passaram a ser feitas por si mesma. Começou a apanhar a carreira (como ela diz) para a vila, começou a ir ao supermercado, a comprar tudo ao seu gosto e regressava a casa feliz pela independência que estava a recuperar.

No fim de junho, encontrou no supermercado “uma drª” lá do trabalho, com quem se dava muito bem e conversa puxa conversa, disse-lhe que o filho estava a morar sozinho com o neto e que precisava de alguém de confiança para fazer umas horas lá em casa. Arranjou trabalho, não é muito, mas como ela diz, “é uma grande ajuda”.

Mas há mais… E esta foi sem dúvida a parte mais comovente. Um dia que foi ao cemitério colocar umas flores na campa dos pais reencontrou-se casualmente com um “rapaz” que foi seu colega de escola e que há largos anos atrás tinha emigrado com os pais para o Canadá. Com uma situação financeira equilibrada, decidiu regressar a Portugal após a morte da mulher e abrir um pequeno negócio na vila. Foi este o “rapaz” que subitamente abriu o cadeado que trancava à alguns anos o coração de “Maria” e ela embora um pouco receosa, decidiu arriscar e viver um dia de cada vez, sem grandes planos, apenas com vontade de aproveitar cada momento que possa estar para vir. Estas oportunidades aconteceram porque chegou o dia em que ela saiu do marasmo e reagiu.

“Eu não quero nada sério, casamento e essas coisas, está fora de questão, a minha ideia é continuarmos assim como estamos. Encontramo-nos de vez em quando, vamos jantar ou almoçar, às vezes passar um fim de semana fora. Os filhos dele vieram de férias para Portugal, chegaram domingo e ontem fomos todos jantar porque ele quis apresentar-me.” – Foram as suas palavras, eufórica com esta nova fase da sua vida.

E esta história fez-me lembrar a nossa carta do dia “É como uma semente que encontramos e resolvemos plantar.” – a semente da vida!

A vida já tinha aberto as portas à “Maria” mas ela recusava avançar. Esta é uma carta que nos pede que não ignoremos as oportunidades que a vida nos oferece, porque vamos sempre a tempo de recomeçar e sermos felizes!

 

 

 

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Uma resposta a Carta do Dia: Ás de Paus

  1. maria pinheiro diz:

    Boa noite.
    Sensacional. Uma história de vida, como diz e bem, muitas Marias …Espero que vejam, que leiam e resolvam também seguir o exemplo. A vida deve ser vivida.
    Muito Obrigada por mais este texto maravilhoso.

    Gostar

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